Tese - Tatiana Porto de Souza

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Espaços de vida na cidade : experiências, cuidado e educação ambiental multiespécie nos community gardens de Nova York

Autor: Tatiana Porto de Souza (Currículo Lattes)

Resumo

Esta tese investiga de que modo os Community gardens da cidade de Nova York se configuram como espaços de Educação Ambiental multiespécie, a partir das experiências sensoriais e relacionais que emergem nesses ambientes urbanos. O problema de pesquisa centra-se na compreensão de como processos educativos ambientais podem se constituir para além de práticas pedagógicas formais ou intencionalmente estruturadas, emergindo do habitar cotidiano, do cuidado compartilhado e das relações entre humanos e mais-que-humanos em contextos urbanos. O objetivo geral consistiu em compreender de que modo os community gardens produzem aprendizagens ambientais multiespécies, enquanto os objetivos específicos envolveram a descrição das relações mais-que-humanas presentes nesses espaços, a interpretação das experiências sensoriais vividas, a análise do papel dos gardens como territórios de justiça ambiental e resistência urbana, bem como o diálogo comparativo com hortas comunitárias urbanas brasileiras. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, fundamentada em uma metodologia experiencial-sensorial situada, dialogando com estudos sensoriais na antropologia e na educação ambiental e estabelecendo aproximações com o conceito de epistemologias ecológicas. Os resultados evidenciam que os Community gardens operam como territórios vivos de aprendizagem ambiental, nos quais plantas, insetos, solo, clima e materialidade exercem agência e participam ativamente dos processos educativos. As aprendizagens identificadas não se dão por transmissão de conteúdos, mas por meio da atenção sensorial, da observação dos ciclos naturais, da prática do cuidado e da corresponsabilidade entre espécies. Verificou-se que essas experiências produzem deslocamentos ontológicos relevantes, descentralizando o humano e promovendo formas de educação ambiental incorporadas, relacionais e situadas. O estudo também revela tensões e contradições, como a coexistência entre práticas de resistência comunitária e processos de institucionalização e gentrificação no contexto nova-iorquino. O diálogo comparativo com as hortas urbanas brasileiras evidenciou convergências, como o protagonismo comunitário, o cuidado com o território e a dimensão educativa implícita nas práticas cotidianas, bem como diferenças estruturais relacionadas ao papel do Estado, às políticas públicas e às tradições da educação popular da agroecologia no Brasil. As conclusões indicam que os community gardens se configuram como espaços potentes de Educação Ambiental multiespécie, nos quais a aprendizagem emerge da experiência sensorial e das relações mais-que-humanas, contribuindo para a ampliação dos horizontes interpretativos da Educação Ambiental contemporânea e oferecendo subsídios para repensar práticas educativas ambientais em contextos urbanos.

TEXTO COMPLETO

Palavras-chave: Community gardensEtnografia sensorialRelações multiespéciesJustiça ambientalEducação ambiental