Tese - Horacio Rodrigo Souza Rodrigues

Paz, justiça e liberdade : a(s) utopia(s) de uma Educação Ambiental para a Justiça Ambiental

Autor: Horacio Rodrigo Souza Rodrigues (Currículo Lattes)

Resumo

Esta tese de doutorado se orienta por uma proposta de Educação Ambiental para a Justiça Ambiental, que seja pensada e praticada a partir das experiências de grupos e indivíduos injustiçados ambientalmente, dando ênfase à privação coletiva do território ou à restrição individual de acesso a ele, como ocorre no caso do encarceramento. Argumento que a Educação Ambiental precisa ser, necessariamente, utópica, resgatando possibilidades imaginárias e transformadoras para aqueles que vivem a injustiça ambiental. A pesquisa amplia essa perspectiva, considerando a educação como processo de construção, alicerçamento e visualização de utopias que possibilitam a reflexão sobre liberdade, justiça e paz frente às interpretações neoliberais e privatistas desses conceitos no capitalismo. O objetivo geral foi analisar como a restrição do território se contradiz com os conceitos de liberdade e justiça no capitalismo neoliberal, considerando os conflitos ambientais que dela decorrem. De maneira específica, foi proposto, como primeiro objetivo, compreender, a partir da descrição e reflexão sobre a experiência sensível vivenciada pelo pesquisador, os significados do uso, apropriação e significação do território sob a perspectiva da privação individual da liberdade. Posteriormente, como segundo objetivo específico, se fez necessário compreender e analisar teórica e conceitualmente as categorias, visitando obras que fundamentam uma análise mais aprofundada das questões, utilizando-se, para tanto, autores como Silvia Federici, Malcom Ferdinand, Nancy Fraser, Rahel Jaeggi, Pierre Dardot, Christian Laval, Angela Davis e Michel Foucault. O terceiro objetivo específico visou discutir as problemáticas trazidas pelo encarceramento, individual e coletivamente, refletindo sobre a experiência vivida com base no aporte teórico-conceitual da Educação Ambiental crítica voltada à Justiça Ambiental, à luz das categorias de privação da liberdade, injustiça e conflitos em contraposição às ideias de liberdade, justiça e paz. A metodologia adotada segue um percurso de passos complementares: primeiro, a descrição refletida da vivência do pesquisador, apoiando-se nos pressupostos da Educação Ambiental do Caminhar, articulada com outra obra biográfica sobre episódio semelhante, de Graciliano Ramos. Em seguida, uma revisão bibliográfica organizada em três capítulos que aprofundam as categorias definidas. Por fim, o capítulo "Reflexões" realiza uma análise dialogada entre relato e teoria, sintetizando as problemáticas do encarceramento e suas implicações individuais e sociais, permitindo compreender como a Educação Ambiental para a Justiça Ambiental pode se consolidar enquanto proposta de transformação social pautada nas utopias de Paz, Justiça e Liberdade. Desta análise, apresento a tese de que a privação do sujeito em relação ao território é um problema ambiental, sendo o encarceramento um problema coletivo, que se traduz em um conflito permanente entre os territórios das periferias e o Estado, alicerçado na construção histórica desigual, racista e misógina do capitalismo enquanto ordem social institucionalizada. Deixando ainda como contribuição a evidência de que surge, no contexto de privação, a partir da perspectiva de construção de um ambiente comum, as utopias de paz, justiça e liberdade, que divergem e se contrapõem àquelas propagadas pela ideologia neoliberal.

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